um bocadinho de mim

um bocadinho de mim

Às vezes dou comigo a pensar como é que a Melancia apareceu e como chegou até aqui. Sim, é certo que o ponto de partida esteve na minha paixão quase que assolapada por roupa de criança, mas disso desconfio que grande parte das mães sofre e nem todas decidem abrir uma loja meia dúzia de dias antes do segundo filho nascer (foi uma loucura, eu sei, mas parece que nem me estou a dar mal :)).

Deixem-me contar-vos um bocadinho da minha história. Pouco tempo antes de ter filhos eu não pensava em ter filhos. Isto pode soar um pouco estranho, mas é a realidade. Um problema de saúde que tinha tido há muitos anos levou-me a ouvir um “vai ter muita dificuldade em engravidar”. Ora, eu sou pouco dada a causas perdidas e dei o assunto por encerrado. Até que dei comigo grávida. É capaz de ter sido a maior surpresa da minha vida. A história que se seguiu é sinuosa, mas, de forma sintética, posso adiantar que essa primeira gravidez terminou precocemente e acho que foi quando ouvi “o embrião deixou de desenvolver” que percebi que queria mesmo estar grávida. Contrariamente ao esperado, não tinha dificuldade em engravidar, tinha dificuldade em levar a gravidez a bom porto. Estive grávida 5 vezes em 3 anos, tenho 2 filhos. No balanço aritmético saio a perder, mas em tudo o resto saí a ganhar. 

Se engravidar e ter filhos tivesse sido um processo linear acredito que a Melancia não existiria e que neste momento não seria uma stay at home mom (não gosto da expressão “mãe a tempo inteiro”, embora também não goste de estrangeirismos). Há uns tempos, um quase desconhecido, surpreendido por uma investigadora ter optado por ficar em casa com os filhos, rematou com um “está a viver a maternidade de forma plena!”. Se calhar é isso. O processo de ter filhos não foi propriamente longo (pelo menos agora, à distância, assim parece, porque na altura em que os dias menos felizes aconteceram houve segundos que duraram anos), mas foi penoso e penso que esta vivência condicionou muito mais o que se seguiu do que aquilo de que tenho consciência (a verdade é que 24 horas sobre 24 horas com os dois pequenotes também não me deixam tempo para reflectir sobre os últimos tempos). 

Se por um lado a Melancia me permite fazer aquilo que considero ser o melhor (ficar com eles enquanto são pequeninos), também me obriga a sair um pouco do mini-mundo em que vivo agora e me permite manter a sanidade mental nos dias mais difíceis. Na verdade, acho que a Melancia é um esforço, um gosto e uma espécie de terapia.

Um dia destes conto-vos mais! :)

Patricia Almeida

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